Paradoxos

Artur Coutinho, Vice-presidente Executivo de Operações da Embraer

13 fev

O desafio de aceitar e conviver com a diversidade fica cada vez maior. A grande concentração da população nas cidades e o crescimento populacional, que finalmente parece arrefecer e mudar de tendência, nos tem colocado cada vez mais perto de pessoas com visões diferentes sobre temas de nosso dia a dia. Às vezes, fazemos um esforço danado para conviver com a tal diversidade, como ocorreu num passado recente em nossa companhia. Por outro lado, acreditamos que diversidade enriquece as soluções e a democracia se solidifica sobre estas diferenças.

 
Em meio a esta diversidade e esforço para com ela convivermos, nos deparamos com incríveis paradoxos. Num dos dias em que nossa unidade de São José teve portarias bloqueadas pela ação sindical, estávamos em Gavião Peixoto fazendo a primeira apresentação do KC-390 (nosso mais novo produto), recebendo reconhecimento do jornal Valor Econômico como uma das “melhores empresas em gestão de pessoas” e, em São Paulo, para o anúncio das ganhadoras do Prêmio Nacional da Qualidade® (PNQ), um dos maiores reconhecimentos à excelência de gestão nas empresas.
 
A Embraer foi uma das seis ganhadoras do prêmio em 2014. Para recebê-lo, é preciso que a empresa se destaque, de forma equilibrada, nos oito Critérios do Modelo de Excelência da Gestão® (MEG) da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). Isto implica em ser excelente em liderança, em planejamento, em atender clientes, em cumprir nossa ação social, no desenvolvimento e na gestão do conhecimento, na gestão de pessoas, na gestão de processos e na geração de valor e resultados.
 
Receber o PNQ foi para nós enorme honra, que coroa com reconhecimento os quase 19 mil integrantes de nossas equipes. Nesta nossa jornada já́ de muitos anos, são dezenas de produtos desenvolvidos com tecnologia 100% brasileira. São centenas de linhas aéreas e milhares de clientes levando nosso nome (e o do Brasil) a todos os continentes.
 
São nossas unidades fabris no Brasil, EUA, China, Portugal e México mostrando que nossa presença global é para valer. É nosso dia a dia cuidando da qualidade de tudo o que fazemos, são 50 mil ideias sugeridas e implantadas no Programa Boa Ideia, 20 mil processos revisados na filosofia Lean, é produtividade da automação e muito mais, tudo inspirado e embalado na paixão por aquilo que fazemos.
 
Paradoxo é Nossa Gente fazendo tanto e querendo fazer mais e tantos fazendo tão pouco, por opção ou falta de oportunidade. Paradoxo é o pai de família lutando para ser exemplo de valores a seus filhos, que assistem todo dia, na TV, o bailar dos desonestos.
 
Paradoxo é quase ficarmos sem água para beber por descaso com a natureza exuberante. Paradoxo é a FNQ prestando serviço na melhoria da gestão de milhares de empresas em parceria com Sebrae (mais de 60 mil profissionais treinados nos fundamentos do MEG) e ações que destroem iniciativas brilhantes em nossa maior empresa, ícone mundial na tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas.
 
Vivendo em um mundo cada vez mais paradoxal, só nos resta responder com mais honestidade, trabalho, paixão e com mais de nós mesmos a todos os desafios com que nos deparamos a cada dia. Há que ter fé́ e lutar por um futuro melhor. Não podemos roubar este futuro de nossos filhos e netos. Como disse um mecânico de aviões da FAB, major Juarez Wanderley, que um dia se tornou presidente da Embraer, não podemos desistir nunca. O futuro é o nosso único legado.
 
Artigo originalmente publicado em O Vale, no dia 30 de novembro de 2014.
 
FONTE: http://fnq.org.br/informe-se/artigos-e-entrevistas/artigos/paradoxos
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